A alfabetização de jovens e adultos está longe de ser um desafio exclusivamente brasileiro. Enquanto em países desenvolvidos é praticamente nulo o percentual da população que não sabe ler e escrever, na África atinge 39%; na Ásia, 25%; e na América Latina e Caribe, 12% - no Brasil, em 2002, estava em 11,8% dentre as pessoas com mais de 15 anos.
É evidente que essa realidade tem efeitos diferentes em países com estágio variado de desenvolvimento. Mas a necessidade de educação, até como ponte para a qualificação profissional, é uma premissa cada vez mais considerada universal. É por isso que existe uma acentuada demanda em nações pobres e em desenvolvimento por iniciativas educacionais eficazes.
Foi nesse contexto que, há sete anos, a AlfaSol passou a atuar também no exterior. Isto só foi possível porque a entidade brasileira criou um modelo replicável, mesmo em regiões com características socioculturais distintas.
A participação internacional da AlfaSol, em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC), órgão do Ministério das Relações Exteriores, começou em novembro de 2000, com a adaptação da metodologia aplicada no Brasil para Timor Leste, na Ásia. No segundo semestre de 2001, foi estendida a Moçambique e a São Tomé e Príncipe, na África.
No continente africano, a contribuição da AlfaSol também chegou a Cabo Verde em 2002. Neste mesmo ano, uma novidade: a parceria da AlfaSol foi firmada também com a Guatemala, na América Central, um país de língua espanhola.
Tal aliança em torno de um projeto de alfabetização, mantida por países de línguas diferentes, comprova que é bastante amplo o limite de adaptação da base estrutural do projeto brasileiro. Esse tipo de transferência de tecnologia social da AlfaSol só foi possível pela essência da proposta: um misto de grande capacidade de mobilização, aliado a um sistema de avaliação permanente de resultados, associado ao total respeito às peculiaridades sociais, culturais e econômicas de cada país.