AlfaSol       Programas       Participe       Parceiros       Notícias
O despertar de uma educadora

Em uma das turmas de alfabetização da AlfaSol, sem que se percebesse ao primeiro olhar, havia uma professora adormecida, que buscava naquelas aulas mais do que conhecimento: inspiração e motivação para seu despertar.

 

Aos 60 anos de idade, Valéria Aparecida do Amaral Coutinho, que há 20 anos completara o magistério pela segunda vez, resolveu voltar a ser aluna, dessa vez decidida a se fortalecer e encontrar o caminho que ela sempre quis percorrer, que a levaria ao encontro de seu sonho: tornar-se educadora. Foi então que se matriculou na turma de alfabetização da AlfaSol, realizada em parceria com o Instituto Cyrela, na Associação Novolhar.

 

Valéria conta que desde muito nova carrega consigo essa ambição, mas sempre teve auto-estima muito baixa e dificuldade no aprendizado, o que tornava esse sonho um desafio ainda maior. “Quando menina, frequentei escola especial, em virtude dessa minha limitação. Lembro que às vezes eu tinha que estudar 3h para entender a mesma matéria que minha irmã estudava em 1h”, explica ela.

 

Diferente dos demais alunos, como já tinha completado os estudos e, inclusive, cursado magistério, voltar para sala de aula de alfabetização de jovens e adultos foi, para Valéria, um exercício de olhar pra dentro de si, e redescobrir um universo de conhecimentos que ela já possuía, mas que por falta de prática e autoconfiança, estavam engavetados em algum lugar dentro dela. “Logo que entrei, eu não contei para ninguém o meu nível escolar, tinha vergonha de não saber. Então, eu perguntava tudo, como escrevia ou lia determinada palavra, como fazia tal conta, até relembrar cada uma das coisas que eu já tinha visto”, conta Valéria.

 

Com o tempo e a dedicação aos estudos, os conhecimentos foram novamente se tornando palpáveis e motivaram-na a se aprofundar cada vez mais; ela muitas vezes ficou horas após as aulas, tirando dúvidas e fazendo exercícios, alimentando seu sonho, há muitos anos, faminto. “Foi como o reacender de um vulcão o que essa experiência fez comigo, eu voltei a acreditar em mim, mexeram comigo por dentro, me mostraram que eu tinha capacidade. Foi aí que eu acreditei que poderia fazer faculdade”, lembra a futura professora, emocionada, com o sorriso aberto em rosto, “eu encarei como um cursinho pré-vestibular”, brinca ela.

 

Com uma aluna como a Valéria em sala, a educadora da turma, Maria Fernanda, encontrou não só grande motivação e inspiração para trabalhar, mas também uma importante aliada para suas aulas. “Meu trabalho com ela foi, principalmente, de fortalecer sua auto-estima, mostrar o potencial que ela possui, pois ela tem muito conhecimento e muitas vezes se prontificava a ajudar outros alunos com uma paciência e didática própria, que ela não sabia que tinha”, conta.

 

A educadora lembra um episódio interessante que aconteceu em uma das aulas e que colocou Valéria na condição que ela deseja ocupar para o resto da vida. Na ocasião, Maria Fernanda estava com a voz comprometida e sugeriu então que Valéria explicasse o exercício. “Ela foi para frente da sala e praticamente deu uma aula, eu apenas dei suporte em algumas questões, mas ela conduziu sozinha, explicando como solucionava cada um dos problemas matemáticos”, lembra Fernanda, emocionada.

 

Atualmente cursando pedagogia pela UNIESP (União das Instituições de Ensino de São Paulo), a agora universitária, Valéria, aplica toda dedicação que mostrou na turma de alfabetização da AlfaSol, às matérias da faculdade, e essa energia contagia seus jovens colegas de sala. “Ela é muito esforçada e disciplinada, pede silêncio e atenção quando o professor tá explicando, é um exemplo para todos nós. Às vezes tem trabalho com prazo para daqui dois meses e ela quer resolver na mesma semana, não deixa nada para depois”, comenta sua amiga de universidade, Priscila Fernandes Pinheiro, e destaca, “ela já fala como uma educadora, se coloca com segurança, pausadamente, é inspirador”.

 

Quando se formar pedagoga, daqui quatro anos, Valéria tem como meta trabalhar em duas frentes: no EJA (Ensino de Jovens e Adultos) e com alunos especiais. “Quero atuar com esse público por causa das professoras que eu tive. Eu quero ser essa pessoa que vê o outro, que percebe as dificuldades e a capacidade de cada um. Por isso quero trabalhar com esse público, promover a inclusão”, conclui Valéria.

 

Texto e fotos: Thiago Peixoto

 

Legenda1: Valéria Coutinho | Legenda2: Valéria e sua amiga de universidade,Priscila Fernandes

AlfaSol Participe
Programas
Fale conosco Parceiros
Notícias

Histórias de vida

Licitações

IES / Municípios